História

DO NASCIMENTO À GLÓRIA

 

Foi no início do Séc. XX, mais precisamente a 10 de Novembro de 1910, que por desinteligências entre elementos do Bomfim Foot-ball Club, um dos clubes onde se praticava essa nova modalidade importada das ilhas britânicas chamada Futebol, levaram Joaquim Venâncio, Henrique Santos e Manuel Gregório a abandonar esse clube, lançando a ideia da formação de um pequeno grupo a que dariam o nome de Sport Vitória. «A Vitória será nossa» dizia o entusiasta Joaquim Venâncio, e daí o nome que ficaria para a posteridade de Vitória.

Entretanto, a saída de mais elementos de outros clubes setubalenses tais como Guilherme da Silveira, José Preto Chagas, Manuel Reimão, Gabriel Roillé, Matos Diniz, Duarte Catalão, Ernesto Viegas, António Ledo, Eurico Costa, Joaquim Gomes, Júlio Araújo e Mário Ledo iria aumentar o número de membros do mais recente clube de Setúbal.

A 20 de Novembro de 1910 estava constituído o clube, com alguns dos nomes que iriam ter um papel preponderante no seu futuro, e que iria passar a chamar-se por sugestão de Joaquim Correia da Costa, a 5 de Maio de 1911, aquando da primeira reunião de Assembleia Geral, de Victória Foot-ball Club.

Evolução do logótipo do Vitória FC.

Evolução do logótipo do Vitória Futebol Clube.

 

Embora o clube sadino se tenha mudado para o seu berço, o Campo dos Arcos, a 15 de Setembro de 1913, enfrenta a recusa dos clubes de Lisboa em se deslocarem a Setúbal (não havia campeonato nacional, apenas regional em Lisboa). O Vitória continuou a jogar, domingo após domingo na capital e apesar das dificuldades acaba por se sagrar vencedor do Campeonato Regional de 2.ªs categorias em 1916/17. Este resultado incentiva o Vitória a participar no Campeonato de 1.ª categoria em 1918/19, e enquanto as suas 2.ªs categorias repetiam o feito em 1921/22 e 1925/26 a primeira equipa sagrava-se Campeã de Lisboa em 1923/24 e 1926/27 suplantando clubes como o Benfica, o Sporting ou o Belenenses. Acabaria por falhar a conquista do campeonato de Portugal nas duas ocasiões.

Uma das primeiras Equipas do Vitória.

Uma das primeiras Equipas do Vitória.

 

Nessa altura o Vitória não era só o futebol, mantendo secções de tiro, natação, ciclismo e corridas, criando a génese de clube ecléctico que mantêm actualmente, e em que, por intermédio de secções como a ginástica, o ténis de mesa, o andebol, o atletismo, futsal, futebol juvenil, ou o aikido e o judo o clube movimenta centenas de atletas .

Tenis de Mesa 1953

Encontro de Ténis de Mesa entre equipa do Club Desportivo 1º de Maio do Funchal e a equipa de honra do Vitória.

 

Voltando ao Futebol, o Vitória acabaria por abandonar mais tarde os campeonatos de Lisboa, fundando, com outros clubes, a associação de Futebol de Setúbal. Com o passar dos anos, o clube foi crescendo e criando raízes mais sólidas. Em 1943/44 o clube atinge pela primeira vez uma final da Taça de Portugal, pela mão do treinador Armando Martins, e embora o Vitória tivesse perdido com o Benfica em Lisboa por um expressivo 5–1, a alegria do povo setubalense deixa espantada a capital. Onze anos mais tarde repete a presença na final onde defronta o Sporting e uma equipa de arbitragem de critérios duvidosos. O Vitória acaba injustamente derrotado por 3-2, mas em Setúbal organiza-se uma subscrição pública e com os donativos do povo setubalense é feita uma Taça que recebe o nome de «Taça Recompensa», para assim distinguir aqueles que teriam sido justos vencedores do Troféu nacional.

Entretanto, face ao crescimento do Clube, nasce a ideia de construir um novo Estádio. Mário Ledo será um dos homens que guiará essa obra a bom porto. A 16 de Setembro de 1962 é inaugurado o Estádio do Bonfim numa festa que traz a Setúbal, em caravanas de automóveis, pessoas de toda a região. Estavam criadas condições para a década dourada do futebol vitoriano.

Inauguração do Estádio em 1962.

Inauguração do Estádio em 1962.

 

Para além de continuar a somar presenças nas finais da Taça de Portugal, o Vitória acaba por conseguir, pela mão do treinador Fernando Vaz, a vitória nas edições de 1964/65 frente ao Benfica, por 3-1, e em 1966/67 frente à Académica de Coimbra, por 3-2, na final mais longa de todos os tempos (144 minutos!). Ao todo soma oito presenças na final desta competição.

1ª Taça de Portugal em 1964/65

Primeira Taça de Portugal em 1964/65.

 

A equipa de “JJ“, Matine, Tomé, Carlos Cardoso, José Maria, Conceição e Vítor Batista enchia os Estádios nacionais e europeus com a magia do seu futebol. Orientados por José Pedroto, o Vitória atinge o segundo lugar na época de 1971/72 e o 3.º lugar nas épocas de 1969/70, 1972/73 e 1973/74. Nas competições europeias o Vitória soma 12 presenças ( três na taça das taças e 9 na Taça das Cidades com Feira/UEFA onde atinge por quatro vezes os quartos-de-final. Gigantes do futebol do velho continente como o Leeds United, Inter de Milão, Fiorentina, Lyon, Spartak de Moscovo, Hayduk Split, Rapid de Bucareste e Anderlecht caem aos seu pés.

Jacinto João

Jacinto João, um dos maiores atletas do Vitória Futebol Clube.

 

O Vitória é convidado para diversos torneios a nível internacional, dos quais destacamos a participação no Troféu Ibérico, na Taça Teresa Herrera, em Julho de 1968, vencendo na final a equipa do Rapid de Viena e a participação na Mini-Copa do Mundo, em Caracas na Venezuela (1970), em que chega também à vitória frente às equipas do Chelsea, do Santos e do Werder Bremen.

Hoje, os atletas que representam o Vitória Futebol Clube de Setúbal, sabem que ao vestir a camisola branca listada de verde, carregam no corpo uma história cheia de glória de um clube que têm a responsabilidade de honrar e a valorizar, dia após dia.

 

JACINTO JOÃO

Jacinto João, mais conhecido como “JJ”, nasceu em Luanda, a 25 de Janeiro de 1944. Foi um dos nomes mais conceituados do futebol português nas décadas de 60 e 70 e ficará para sempre ligado à época dourada do Vitória Futebol Clube, tendo sido um dos melhores atletas do nosso clube e um dos jogadores mais adorados do Vitória.
Faleceu em Setúbal, a 29 de Outubro de 2004.
«Morreu uma figura grada deste clube, que derramou classe nos campos de futebol de todo o país e também alguns países estrangeiros», disse Fernando Tomé, amigo de longa data de “JJ” e seu colega de equipa durante sete anos.
À passagem pelo 95º aniversário do clube, este prestou-lhe homenagem e inaugurou uma estátua em sua honra à entrada do Estádio do Bonfim.

 

Estatua JJ

 

“No dia 29 de Outubro
Setúbal acordou a chorar,
Ao saber que desaparecera
Quem em tempos, nos fez vibrar

Os seus dribles serpentinos
E as simulações magistrais,
Fizeram levantar Estádios
Portugueses e Mundiais…

Com o 11 na camisola
E um pé esquerdo estonteante,
J.J. foi a figura
De uma equipa entusiasmante

Dava pena ver defesas
Arrastarem – se pelo chão,
Sempre que tinham pela frente
O Enorme Jacinto João!!!

Onde quer que tu te encontres,
Ficarás sempre na História
Esta cidade agradece
O que fizeste pelo Vitória!!!

Obrigado Jota”

O VITÓRIA NÃO É GRANDE…É ENORME !

Miguel Aleixo
(O Poeta Rebelde)