Dinis Vital morre ao 82 anos

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Dinis Martins Vital, “El Tigre de Évora”, como foi apelidado em 29 de Junho de 1957 por uma importante revista desportiva, nasceu a 2 de Julho de 1932 na vila alentejana de Grândola.

Por muito que se augure o melhor para qualquer criança, jamais os seus progenitores e conterrâneos imaginariam que, naquele dia, tinha nascido na Vila Morena um dos melhores jogadores do Futebol Português.

A sua actividade futebolística começou na época de 1946, quando com 14 anos de idade fez parte de uma equipa do Grupo Desportivo Grandolense, alinhando na posição de médio interior direito, o que hoje se designa por médio ofensivo.

Passou posteriormente para a posição de guarda-redes, por contingências e vicissitudes em que o próprio futebol é fértil.

Em determinado momento, o GD Grandolense efectuou um jogo particular em Ermidas Gare, uma localidade vizinha,  não tendo comparecido o guarda-redes habitualmente titular, pelo que, o treinador teve que substitui-lo e a escolha recaiu em Dinis Vital. Em boa hora o fez…

Contudo e apesar de uma vida recheada de êxitos, não é menos verdade que tal só foi possível com muito trabalho e sacrifícios, a que não faltaram algumas contrariedades. Começando, desde logo, quando devido às suas excelentes qualidades futebolísticas, e apesar da tenra idade não permitir, foi inscrito com o nome de outro jogador, sem ter conhecimento ou dado o seu consentimento para tal.

Tal como se previa, quando a situação foi descoberta sofreu o competente castigo, só não sendo a pena mais gravosa, pelo facto de ter alinhado, apenas, num encontro e pelas atenuantes atrás referidas.

Depois de cumprido o castigo rumou a Évora ingressando no Lusitano Ginásio Clube na época de 1951/52, sagrando-se Campeão Nacional da II Divisão, com a consequente subida à 1ª. Divisão Nacional.

Com a camisola do Lusitano efectuou a sua estreia num jogo de reservas, frente o rival Juventude, no Campo Sanches de Miranda. Por curiosidade o clube onde viria a iniciar a sua interessante e brilhante carreira como Treinador.

Subiu à categoria principal a meio da época, substituindo o então titular Manuel Martelo, sendo a partir daí o “dono e senhor” das redes Lusitanistas, até se transferir para o Vitória Futebol Clube na época de 1966/67.

Conseguiu com a camisola do Vitória FC grandes exibições e conquistou variadíssimos troféus, entre os quais, a Taça Teresa Herrera, o Troféu Ibérico, a Mini Copa do Mundo e uma Taça de Portugal, quando o Vitória venceu no Estádio Nacional, no dia 9 de Junho de 1967, a Associação Académica de Coimbra por 3-2, com golos de Guerreiro, José Maria e Jacinto João para o Vitória, tendo Celestino e Ernesto marcado para a Académica.

Num jogo disputadíssimo, o vencedor só foi encontrado após dois prolongamentos quando aos 144 minutos Jacinto João marcou o 3.º golo dos Sadinos.

Se como jogador a sua carreira foi repleta de êxitos, também como treinador/jogador e treinador principal conseguiu muitas vitórias, alguns campeonatos e subidas de divisão em todos os escalões, sendo duas delas promoções ao Campeonato Nacional da 1ª. Divisão.

Defendeu as cores do Desportivo Grandolense, Lusitano e Vitória Futebol Clube, como jogador e, as do Juventude e Grupo União Sport de Montemor-o-Novo como treinador/jogador.

Por sua vez, como treinador principal orientou Juventude, Grupo União Sport, Farense, Ginásio de Alcobaça, Lusitano e Calipolense e, como adjunto e treinador de guarda-redes, o Vitória Futebol Clube.

Durante a sua carreira defendeu as camisolas de todos os Clubes que representou com a mesma dignidade e honestidade, quaisquer que fossem as situações, bem como o escalão em que as mesmas actuavam.

Foi Internacional A , B e Militar, não tendo sido mais vezes pelos motivos conhecidos na época, nomeadamente pelo facto de não pertencer aos  chamados clubes grandes do Futebol Português.

Pela  Selecção Militar foi Campeão do Mundo, quando as selecções eram constituídas, na maioria dos casos, pelos melhores jogadores, em virtude dos mesmos permanecerem vários anos no Serviço Militar, mesmo os que não eram militares de carreira.

Em Novembro de 2010, no centenário do Vitória Futebol Clube, foi considerado e distinguido como guarda-redes do século das cores verde-e-brancas.

Em Dezembro último foi, igualmente, homenageado pelas Velhas Glórias do Vitória Futebol Clube.

Morreu na madrugada desta quarta-feira, dia 17 de Setembro 2014, no Hospital do Espírito Santo em Évora, contava 82 anos.

À família da malograda glória Vitoriana, a Direcção do Vitória Futebol Clube endereça as mais sinceras condolências e sofre com eles neste momento de dor e consternação.

O corpo de Dinis Vital estará na Capela do Hospital do Espírito Santo em Évora até amanhã, quinta-feira, dia em que se realiza, pelas 10 horas, o funeral no Cemitério dos Pinheiros, na mesma cidade alentejana.



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