Entrevista exclusiva com Mário Moço, treinador da Formação

Categorias: Futebol Formação,Modalidades


Mário Moço

Mário Moço é actualmente o treinador da formação com mais anos ao serviço do Vitória Futebol Clube. Estivemos à conversa para conhecer um pouco melhor a sua história.

Nome: Mário João Paixão da Silva Moço
Data de Nascimento: 3 de Junho de 1969
Naturalidade: Angola – Benguela
Modalidade: Futebol Formação

 

Mário Moço

 

Estás há muitos anos ligado à formação de jovens como treinador de futebol. Como começou esta aventura de ser treinador?

A minha aventura como treinador de futebol começou em Agosto de 1997, como treinador adjunto e preparador físico da Equipa de Iniciados A, treinada pelo Mister Francisco Silva. Em Junho de 1997, terminei a minha Licenciatura em Professor do Ensino Básico na Variante de Educação Física e através do Professor Luís Martins, chegou-me o convite do Mister Francisco Silva. Claro que nem pensei duas vezes, pois a paixão pelo Clube e pelo Futebol eram enormes.

 

A Formação faz sem dúvida parte da tua vocação, contudo, tens como objetivo um dia vir a treinar um clube sénior profissional?

Não sei se um dia isso acontecerá, mas é um sonho que qualquer treinador ambicioso tem. No entanto, preparo-me dia a dia, estudando e vivenciando experiências para ir evoluindo e estar preparado caso esse dia chegue, pois não poderei falhar. Mas, não vivo obcecado com esse objetivo.

 

Como se formam atletas? Que valores gostas de transmitir aos teus jogadores?

Os atletas formam-se com um ambiente familiar saudável, em que as regras sociais e alimentares começam em casa. Depois, o Clube deverá dar continuidade a essas regras sociais oferecendo boas condições de treino e tendo responsáveis competentes ao nível de treino e competição.

Os valores que gosto de transmitir aos meus jogadores são a amizade, a união, solidariedade, igualdade, atitude, perseverança, coragem, concentração, dedicação, justiça, organização e autossuperação constante.

 

Como conjugas a parte competitiva com a componente pedagógica?

Normalmente conjugo a parte competitiva com a componente pedagógica dando responsabilidade, concentração competitiva, mas ao mesmo tempo dando liberdade para sentirem prazer em praticarem aquilo que mais gostam. O importante é cumprirem os princípios e os processos treinados no coletivo, partindo daí para o individual. Não salto etapas na formação só para ter resultados imediatos. Mas tento formar a ganhar, pois motiva todo o grupo e fazendo acreditar ainda mais naquilo que trabalha diariamente.

 

Consideras que as razões que levam algumas crianças a quererem ser jogadores de futebol, estão um pouco desfasadas da pura alegria de “jogar à bola”?

Não acredito muito que uma criança que não tenha paixão pelo futebol possa vir a ser jogador de futebol. Pois, pode-se ensinar uma criança a jogar futebol, mas se o jeito não nascer com a criança, muito dificilmente será jogador de futebol. No entanto, por vezes corre-se o risco de tirar a alegria a um jogador de jogar à bola, se o treinador o pressionar demais preocupando-se com o produto e esquecendo-se o essencial que é o processo.

 

O que faz com que um jovem atleta seja um potencial candidato a ter uma carreira profissional?

Um jovem atleta normalmente torna-se potencial candidato a ter uma carreira de profissional quando sobressai dos outros elementos da equipa. Embora, tenha que se fazer um avaliação muito rigorosa e seguir critérios comparativos muito rigorosos. Esses critérios deverão ter como base os fatores psicológicos, físicos e de coordenação.

Ou se utiliza teste de prognósticos, ou se avalia com testes físicos. Os testes físicos deverão ser após o salto pubertário. No entanto, existem muitos fatores durante o processo de formação que muitos potenciais candidatos perdem-se aparecendo outros que nem se estava à espera que surgissem, por isso deve-se tentar dar o máximo de oportunidades a todos.

 

Quais são as maiores dificuldades que os jovens encontram, quando fazem a transição do FUT7 para o FUT11?

As maiores dificuldades que os jovens encontram, quando fazem a transição do Futebol 7 para o Futebol 11 são a organização espacial e as grandes diferenças maturacionais existentes no Escalão de Iniciados (Juniores C). Ao passarmos para um campo de 7 para 11, os jovens atletas sentem muitas dificuldades em se posicionarem num campo tão grande. Por outro lado, existem grandes diferenças físicas, pois uns já iniciaram o salto pubertário e têm um corpo já de homem, enquanto que outros ainda têm o corpo de criança.

 

Podias ser o treinador de qualquer equipa Sénior no Mundo. Meios financeiros não eram problema. Qual era o jogador indispensável nessa tua equipa? Porquê?

O jogador indispensável em qualquer equipa são os valores da amizade, a união, solidariedade, igualdade, atitude, perseverança, coragem, concentração, dedicação, justiça, organização e autossuperação constante. O coletivo está acima de qualquer individualidade, seja qual for o nível da equipa. Mas, aliando estes critérios a jogadores com grande capacidade técnica, tática e física formam-se equipas com grande sucesso.

 

Qual o teu jogador favorito do VFC (Seniores)? Porquê?

Não tenho jogadores favoritos nos seniores do Vitória, pois todos são importantes, cada um na sua função, pois o jogador mais importante é o coletivo. Embora, fique muito feliz quando vejo um jovem oriundo da formação do nosso Clube consiga impor-se na equipa principal.

 

Conta-me um momento que te tenha marcado positivamente, enquanto treinador do VFC.

Os momentos que mais me marcaram positivamente, enquanto treinador do Vitória foi vencer 6 campeonatos distritais de Futebol 7. E este ano, foi vencer o mais forte candidato ao título de iniciados, o S. L. Benfica e termos sido apurados para a 2ª fase do Campeonato Nacional de Iniciados A.

 

Quais são os teus objetivos para o futuro? (Como Treinador)

Os meus objetivos a curto prazo, era ficar mais um ano nos Iniciados A, para consolidar conhecimentos e continuar a minha evolução como treinador. A médio prazo continuar a evoluir como treinador subindo de escalão, no Vitória se as condições se proporcionarem, ou noutro clube, de forma a evoluir e consolidar conhecimentos. Por fim, chegar a treinador adjunto de uma equipa sénior profissional para amadurecer conhecimentos e conhecer contextos específicos e depois logo se veria, se teria capacidade para treinar uma equipa profissional. Mas, se isso não acontecer, continuar a treinar, pois tenho muita paixão pelo futebol.

 

Que fatores de presságio deverá ter um treinador para ter sucesso?

Um treinador para ter sucesso deverá ser bem formado socialmente e amigo da sua equipa, um bom psicólogo para saber unir a equipa em torno de um objetivo, conhecer os contextos culturais do Clube e da Cidade onde vai treinar, ter conhecimentos gerais e específicos sobre futebol, conhecer a fisiologia de esforço baseando-se nas leis de treino e estar em permanente formação para que consiga estar atualizado e evoluir sempre.

 

Qual o teu lema de vida?

O meu lema de vida é ser feliz, fazer a minha família feliz e as pessoas que convivem comigo.

 

 



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