1910-1962

DO NASCIMENTO À GLÓRIA



Foi no início do séc. XX, mais precisamente a 10 de Novembro de 1910, que, por desinteligências entre elementos do Bomfim Foot-ball Club, um dos clubes onde se praticava essa nova modalidade importada das ilhas britânicas chamada Futebol, levaram Joaquim Venâncio, Henrique Santos e Manuel Gregório a abandonar esse clube, lançando a ideia da formação de um pequeno grupo a que dariam o nome de Sport Vitória. «A Vitória será nossa» dizia o entusiasta Joaquim Venâncio, e daí o nome que ficaria para a posteridade de Vitória.


Entretanto, a saída de mais elementos de outros clubes setubalenses tais como Guilherme da Silveira, José Preto Chagas, Manuel Reimão, Gabriel Roillé, Matos Diniz, Duarte Catalão, Ernesto Viegas, António Ledo, Eurico Costa, Joaquim Gomes, Júlio Araújo e Mário Ledo iria aumentar o número de membros do mais recente clube de Setúbal.


A 20 de Novembro de 1910 estava constituído o clube, com alguns dos nomes que iriam ter um papel preponderante no seu futuro, e que iria passar a chamar-se por sugestão de Joaquim Correia da Costa, a 5 de Maio de 1911, aquando da primeira reunião de Assembleia Geral, de Victória Foot-ball Club.


Embora o clube sadino se tenha mudado para o seu berço, o Campo dos Arcos, a 15 de Setembro de 1913, enfrenta a recusa dos clubes de Lisboa em se deslocarem a Setúbal (não havia campeonato nacional, apenas regional em Lisboa). O Vitória continuou a jogar, domingo após domingo na capital e apesar das dificuldades acaba por se sagrar vencedor do Campeonato Regional de 2.ªs categorias em 1916/17. Este resultado incentiva o Vitória a participar no Campeonato de 1.ª categoria em 1918/19, e enquanto as suas 2.ªs categorias repetiam o feito em 1921/22 e 1925/26 a primeira equipa sagrava-se Campeã de Lisboa em 1923/24 e 1926/27 suplantando clubes como o Benfica, o Sporting ou o Belenenses. Acabaria por falhar a conquista do campeonato de Portugal nas duas ocasiões.


Nessa altura o Vitória não era só futebol, mantendo secções de tiro, natação, ciclismo e corridas, criando a génese de clube eclético que mantêm atualmente, e em que, por intermédio de secções como a ginástica, o ténis de mesa, o andebol, o atletismo, o futsal, o futebol de formação, o aikido, o judo, o taekwondo ou o kickboxing o clube movimenta centenas de atletas.


Voltando ao Futebol, o Vitória acabaria por abandonar mais tarde os campeonatos de Lisboa, fundando, com outros clubes, a associação de Futebol de Setúbal. Com o passar dos anos, o clube foi crescendo e criando raízes mais sólidas. Em 1943/44 o clube atinge pela primeira vez uma final da Taça de Portugal, pela mão do treinador Armando Martins, e embora o Vitória tivesse perdido com o Benfica em Lisboa por um expressivo 5–1, a alegria do povo setubalense deixa espantada a capital. Onze anos mais tarde repete a presença na final onde defronta o Sporting e uma equipa de arbitragem de critérios duvidosos. O Vitória acaba injustamente derrotado por 3-2, mas em Setúbal organiza-se uma subscrição pública e com os donativos do povo setubalense é feita uma Taça que recebe o nome de «Taça Recompensa», para assim distinguir aqueles que teriam sido justos vencedores do Troféu nacional. Entretanto, face ao crescimento do Clube, nasce a ideia de construir um novo Estádio. Mário Ledo será um dos homens que guiará essa obra a bom porto.
UMA DAS PRIMEIRAS EQUIPAS DO VITÓRIA
ENCONTRO DE TÉNIS DE MESA ENTRE EQUIPA DO
CLUB DESPORTIVO 1º DE MAIO DO FUNCHAL E A EQUIPA DE HONRA DO VITÓRIA.
FASE DO JOGO VITÓRIA 3-1 ACADÉMICA DE COIMBRA, 1944
FASE DO JOGO VITÓRIA 2-1 SPORTING, 1957
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